Sábado, Junho 02, 2012

The Sense of an Ending

Pra começar o mês de junho, um livro que acabei de ler...em maio! Trata-se do novo livro do conhecido escritor inglês Julian Barnes, que ganhou o Man Booker Prize em 2011. Enfim, mais um daqueles livros que estava na minha extensa Lista de desejos e finalmente consegui ler. E realmente o livro é muito bom, dá pra ler em um ou dois dias porque trata-se de uma novella (termo em inglês) ou seja, um romance curto.

Mas não se iludam, embora a leitura seja rápida, você certamente demorará vários dias digerindo o livro! Comigo pelo menos foi assim. Li, reli alguns trechos que tinha marcado durante a leitura (hábito que cultivo desde meus tempos de faculdade) e ainda estou digerindo.

O tema principal é a Memória e mais especificamente, nossas lembranças do passado. E como o livro mesmo mostra, a memória é coisa complicada porque sempre será subjetiva. Nós sempre iremos reconstruir nosso passado com base no que lembramos dele e na nossa interpretação dos fatos ocorridos. Aí é que a coisa complica porque, pra início de conversa,  não somos mais quem éramos no passado. E com o passar dos anos , começamos a questionar nossa memória.Alguns mais do que outros, claro.

Este é o caso de Tony Webster, o protagonista desta estória. Tony é um respeitado senhor de 60 anos, aposentado depois de longa carreira, divorciado depois de um casamento de 18 anos e pai de uma filha de 20 e poucos anos. Um belo dia, ele recebe uma carta oficial de um advogado que o leva de volta ao passado. Mais especificamente, 40 anos atrás, nos seus tempos universitários.

Na época, ele tem uma curta relação com Veronica Ford e depois que ela começa a namorar Adrian, um dos amigos de Tony, ele fica enfurecido e acaba mais tarde escrevendo uma carta cheia de raiva para o casal . Daquelas cartas que a gente escreve e se arrepende de ter enviado ou na melhor das hipóteses, que a gente escreve e depois desiste de colocar no correio (atire a primeira pedra quem nunca fez isso). Pois a carta de Tony parece ter sido uma espécie de praga que acabou se realizando no desencadear da estória. O leitor só compreenderá o que acontece realmente nas últimas páginas do livro! Porque o grande mistério, o pequeno grande detalhe da estória, escapou totalmente a Tony. E como ele é o narrador da estória, acabamos interpretando a estória com base na memória dele.

 Enfim, uma leitura surpreendente para leitores inteligentes...e capazes de prestar atenção nos detalhes, que escaparam totalmente do protagonista! Não falo mais para não estragar, anotem a dica.

Quinta-feira, Maio 31, 2012

Top 5 - 52x5 Momentos pra compartilhar: SEMANA 21




Digamos que este foi um dos posts mais dolorosos até agora...afinal de contas, quem é que gosta de ser confrontado com seus defeitos? E eu tenho vários, sendo que a maioria me incomoda mais do que incomoda aos outros...É que muita gente não sabe, mas eu sou carrasco de mim mesma! E venho tentado trabalhar isso há anos. Já teve até um grande amigo que me disse que eu devia ser menos dura comigo mesma! Eu sou perfeccionista e quando cometo erros, tenho muita dificuldade em me perdoar (acho mais fácil perdoar os outros). Ruim pra caramba.


Semana 21 - Meus piores defeitos...
1) Pessimismo (mas juro que é patológico) 
2) Dificuldade em perdoar a mim mesma 
3) Perfeccionismo, não aceito erros 
4) Dificuldade de planejar e alcançar metas 
5) Falta de disciplina, natureza caótica

Domingo, Maio 27, 2012

Filmes recentes

Agora que estou solteira, a primeira coisa que decidi fazer é ir mais ao cinema! Ainda mais porque aqui em Amsterdam inventaram há tempos algo fantástico chamado Cineville, que é uma rede de 13 salas de cinema de arte. E eles oferecem um passe especial para TODAS as salas de cinema por míseros 18 euros por mes. E o cinema EYE, recém-inaugurado aqui no meu bairro, também faz parte.

Pois eu ganhei o passe de Dia das Mães e desde então já assisti ótimos filmes! Todos os filmes são bem diferentes, mas um é melhor do que o outro. Seguem as minhas recomendações.


Intouchables



O filme mais popular na França em 2011...e com toda razão! Uma estória comovente de amizade entre classes diferentes, que intercala magistralmente cenas hilárias e cenas comoventes. Um filme que faz rir, que faz chorar, que faz pensar. Enfim...maravilhoso!

Philippe é um milionário que sofre um acidente e acaba numa cadeira de rodas. Driss é um francês descendente de africanos que mora num banlieue parisiense. Um tem dinheiro sobrando e vários empregados em sua mansão luxuosa. O outro vive do seguro social e é obrigado a procurar emprego e por isso, acaba indo a uma entrevista na casa de Philippe. Uma mesma cidade  - Paris, mas que poderia ser qualquer capital européia com suas diferenças sociais - dois mundos diferentes.

Uma das coisas que mais me agradou no filme é que nenhum dos dois se comporta como vítima de seu destino. Philippe não se sente injustiçado por ter acabado numa cadeira de rodas quando poderia estar curtindo a vida. E Driss sobrevive da melhor maneira possível em condições deploráveis. Ele divide um apartamento pequeno com vários membros da família, como é comum ver em famílias de imigrantes.


Wuthering Heights (2011)



Uma versão moderna de um velho clássico. Desta vez, a obra foi adaptada para as telas pela diretora inglesa Andrea Arnold, cujo trabalho eu já conhecia de Fish Tank. Como eu tinha gostado muito do filme e as críticas para Wuthering Heights estavam só elogiando esta nova adaptacão, decidi conferir. E o filme é mesmo muito bom, com ênfase no naturalismo, muitas cenas de natureza, chuvas e tempestades mas também pastos verdejantes, como é a região Yorkshire Moors.

O legal no filme é que os atores não tinham experiência prévia de cinema, com exceção de Kaya Scudelario que é uma atriz cult na Inglaterra por causa da série SKINS (que eu assisti e recomendo para os fortes). Além disso, ela escolheu conscientemente um ator negro para fazer o papel de Heatcliff. Porque o filme trata de um amor impossível entre pessoas de classes diferentes e ao escolher o ator, ela colocou ainda mais ênfase nessas diferenças sociais.



This Must Be The Place




Filme do diretor Paolo Sorrentino (que também fez Le conseguenze dell´amore e Il Divo, que não assisti) com uma das melhores atuações de Sean Penn!  Ele conta a estória de Cheyenne, um ex-rock star que fez uma fortuna nos anos 80 e depois entrou na ..., como é o caso de muitos rock stars.

Cheyenne vive confortavelmente com sua mulher em uma mansão em Dublin. Ele é um rock star aposentado que leva uma vidinha sem maiores aventuras e emoções. Depois de ter feito sua fortuna com uma banda nos anos 80, hoje ele tenta achar seu lugar num mundo em que ele é apenas mais uma pessoa andando pelas ruas.

Até o dia em que recebe a notícia de que seu pai, com quem não tem contato há 30 anos, está com uma doença grave Aí ele decide visitar sua família em New York, mas infelizmente não chega a tempo para se despedir de seu pai. Então ele decide vingar o pai, que foi prisioneiro em um campo de concentração na época da Segunda Guerra Mundial e vai atrás de um dos nazistas que o humilhou naquela época. A partir daí, o filme se transforma um road movie, passando por vários estados dos EUA.

A fotografia é um dos pontos fortes, realmente maravilhosa! A trilha sonora também tem uma função essencial na estória. Uma das cenas-chave do filme é durante um concerto de David Byrne, em que ele canta This Must Be The Place, a música que dá título ao filme.


Monsieur Lahzar

 
Filme canadense que trata de temas sérios e ao mesmo tempo necessários. A estória começa com o suicídio de uma professora, que se enforca em plena sala de aula, pouco antes da escola abrir suas portas. Dois alunos presenciam a cena e ficam chocados. Os outros alunos também ficam desorientados ao saber da tragédia. Enfim, um verdadeiro drama numa escola canadense.

Logo a diretora da escola em Montreal sai à procura de um substituto para a classe. E é aí que um simpático senhor algeriano aparece na escola oferecendo seus serviços. Ele afirma que foi professor em Algiers durante 19 ano e que tem muita experiência com crianças.

A partir daí, o filme enfoca a relação do professor com os alunos e como eles conseguem sobreviver o período delicado após o trágico acontecimento. Um detalhe importante é que o próprio Lahzar também sobreviveu recentemente sua tragédia pessoal, ele perdeu sua esposa e suas duas filhas. Ou seja, assim como as crianças da escola, ele também precisa lidar com o luto. Como se não bastasse, Monsieur Lahzar ainda aguarda seu visto de exílio político no Canadá, o que ele esconde da diretora.

O tema é triste mas o diretor mostra grande sensibilidade ao lidar com temas sociais importantes. Um filme recomendado para pessoas engajadas e interessadas em questões sociais. Eu gostei muito.

Top 5 - 52x5 Momentos pra compartilhar: SEMANA 20








Semana 20 - Fico de mau humor quando...
1) Marco um encontro e a pessoa chega atrasada
2) Decido postar no blog e a internet está sem sinal
3) Chego no cinema e descubro que o horário da sessão publicado no jornal estava errado 
4) Uma pessoa decide furar a fila escancaradamente
5) Vejo uma criança ou jovem sentado no onibus não dar lugar para um idoso (o que ensinei meu filho desde pequeno)

Terça-feira, Maio 15, 2012

Pausa para os comerciais



Queridos leitores,

Como o que é bonito é para ser mostrado, decidi fazer propaganda do meu outro blog aqui! É que muita gente já conhece o Noites em Claro mas não sabe que eu ainda tenho um lado (muito) criativo...sim, eu adoro scrapbooking! Faço um pouco de tudo: cartões, marcadores de livros, mini-álbuns, casinhas de pássaros...enfim, tudo o que a minha criatividade permitir. Meu último projeto foram estes cadernos de nota da foto acima, que ficaram uma gracinha (sim, eu sou modesta, rsrsrsrs).

Enfim, quem curte scrapbooking ou está curioso pra conhecer, visite meu blog de scrapbooking aqui. Em junho, farei meu Primeiro Sorteio e sortearei um set de cartões, marcador de livro e caderno de notas...Fiquem de olho!


Antes e depois

10 coisas simples que me fazem feliz



Este post foi inspirado neste aqui do blog 3x30. É que com o passar dos anos, a gente para de correr atrás da tal felicidade e aprende que ela é feito de pequenos momentos. Pequenas coisas do dia-a-dia. Pequenos detalhes que muitas vezes passam despercebidos. Aqueles raros momentos em que estamos sintonizados com nós mesmos. Momentos de puro prazer em que podemos nos dedicar aquilo que gostamos.

Abaixo uma lista das coisas que me fazem feliz:

1. Uma xícara de café preto feito na hora, cheiro de café fresco pela casa
2. Melhor ainda, um café da manhã caprichado no fim-de-semana (com suco de laranja e ovos)
3. Ler um bom livro. Livros são meus melhores companheiros, não vivo sem eles
4. Ir ao cinema, sozinha ou acompanhada... amo a sétima arte 
5. Encontrar com amigos pra conversar num dos meus cafés favoritos
6. Assistir a uma das minhas séries de tv favoritas
7. Escrever no meu blog e ler (e comentar) nos blogs de amigos 
8. Fazer scrapbook numa tarde chuvosa 
9. Numa tarde de inverno, fazer uma das receitas de muffins de um dos vários livros que tenho aqui em casa (brownie também é outro favorito aqui em casa) 
10. Meu ritual para as noites de frio: Tomar um banho quente. Fazer uma xícara de chai (chá indiano). Escolher um livro e ir pra debaixo das cobertas

 Não necessariamente nesta ordem. Porque acreditem, a felicidade é simples. Nós é que complicamos.





Sábado, Maio 12, 2012

Dia das Mães...



Amanhã é Dia das Mães, uma data em que eu fico feliz e triste ao mesmo tempo. Triste porque, inevitavelmente, sempre lembro da minha mãe neste dia. Feliz porque eu mesma sou mãe e ganhei o melhor presente que uma mulher poderia desejar. Porque para muitas mulheres ser mãe é apenas um sonho - e eu me sinto até culpada nessas horas de reclamar de presente.

Explicando melhor. É que enquanto outras mães vão ganhar perfumes, flores, livros e outros presentes, eu não ganharei presente algum...porque meu ex-marido nem quando éramos casados se dava ao trabalho de pensar em algo - e todas nós mães sabemos que por trás de um presente de Dia das Mães está um pai que ama e valoriza sua parceira (as crianças não tem dinheiro pra comprar presentes, né?).  Então eu vou me contentar com um cartão feito na escola e este ano, ganharei também um café da manhã na cama, com direito a suco de laranja, croissants com geléia, ovos e café...tudo preparado com carinho pelo Liam. E se for pensar bem, tem presente melhor do que carinho de filho?

No final das contas, esta é apenas mais uma daquelas datas comerciais em que as lojas fazem de tudo pra vender mais perfumes, presentes, etc. Claro que deve ser maravilhoso receber um belo presente neste dia mas o melhor presente de todos eu já recebi...no dia 28/04/2000!

E hoje subitamente também me lembrei do ex-namorado, que sempre fazia deste dia uma data especial para mim. Dormíamos uma noite num hotel da cidade para saborear um buffet de cafë da manhã daqueles bem caprichados - até se podia escolher entre English Breakfast e Continental Breakfast. Ou quando o tempo permitia (e este ano não permite), comemorávamos na praia com umas cervejas e uns petiscos de bar (quem pensa que na Holanda não tem praia, leia aqui e aqui).

Mas chega de ladainha. Vou aproveitar este post pra desejar um Feliz Dia das Mães a todas as mamães que visitam este blog! Nossos filhos são mesmo os melhores presentes que poderíamos ganhar.



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